A capital mato-grossense está prestes a ganhar um novo capítulo em sua iconografia visual. A segunda edição do projeto Coisa de Preta está com inscrições abertas, buscando selecionar 20 mulheres autodeclaradas pretas, negras ou pardas para uma experiência que une fotografia, ancestralidade e ocupação urbana. Mais do que um ensaio fotográfico, a iniciativa é um manifesto sobre a memória viva de Cuiabá.
Idealizado pela fotógrafa Míria Ramos — uma mulher preta, lésbica e periférica que transformou sua transição de carreira em um movimento de conexão — o projeto nasceu da necessidade de pertencimento. Para Míria, a fotografia é a ferramenta para documentar histórias de vida, itinerâncias e biografias de mulheres que constroem a capital todos os dias, mas que nem sempre ocupam os espaços de destaque nas narrativas oficiais.
Pontos de Resistência e Identidade
Os ensaios individuais não serão realizados em estúdios fechados, mas sim em locais que exalam a história cuiabana. Os cenários escolhidos são verdadeiros pontos de resistência e afeto: São Gonçalo Beira Rio, Orla do Porto, Parque Mãe Bonifácia, Igreja de São Benedito e a emblemática Praça Maria Taquara. Este ano, o projeto adiciona a Praça da Mandioca ao roteiro, reforçando o registro fotográfico como um ato de luta e visibilidade.
Impacto e Inscrições
Viabilizado pelo edital Viver Cultura (PNAB), executado pela Secel-MT, o “Coisa de Preta” já é um sucesso absoluto: em apenas três dias, mais de 50 mulheres se inscreveram. O projeto culminará na exposição coletiva “Julho das Pretas”, com lançamento marcado para 25 de julho, na Casa das Pretas.
As interessadas devem ter mais de 18 anos e residir em Cuiabá. As inscrições encerram-se nesta sexta-feira (20 de fevereiro), com o resultado final previsto para o dia 2 de março.
O projeto é um convite para que a mulher negra cuiabana conte sua própria história através de seu olhar e sua estética. Como define a própria Míria: “Nossa narrativa não fica só na beleza; temos nossas histórias e queremos contá-las!”.
