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A ‘Forma Viva’ de Véio Chega a Belém: Esculturas do Mestre Sergipano na Caixa Cultural

Belém do Pará se prepara para receber uma grandiosa celebração da arte popular brasileira. A Caixa Cultural da capital paraense abre suas portas para a exposição "A forma viva na arte de Véio", que apresenta o extenso e singular trabalho de Cícero Alves dos Santos, conhecido artisticamente como Véio. O renomado escultor sergipano, uma figura proeminente no cenário da arte nacional, terá cerca de 200 de suas obras expostas ao público, oferecendo a moradores e turistas uma imersão profunda em seu universo criativo a partir desta terça-feira, com permanência até o dia 31 de maio.

Um Mergulho Poético na Obra de Véio

A mostra foi concebida para conduzir os visitantes por um percurso envolvente, destacando a vasta diversidade formal e poética que caracteriza a trajetória artística de Véio em diferentes períodos. As peças expostas revelam a maestria do artista na manipulação de materiais e técnicas, transformando elementos brutos em narrativas vibrantes. Sua imaginação fértil e peculiar transborda em esculturas que entrelaçam harmoniosamente elementos humanos, animais, vegetais e míticos, criando um panorama multifacetado de sua visão de mundo.

Um aspecto marcante da produção de Véio é a matéria-prima de suas criações: madeiras mortas ou descartadas, que ele reaviva com nova vida e significado. As esculturas variam drasticamente em escala, abrangendo desde miniaturas delicadas até imponentes obras que medem vários metros, cada uma delas expressando a profunda conexão do artista com a natureza e o imaginário popular.

Programação Especial: Encontros e Vivências com o Artista

Além da exibição das obras, a Caixa Cultural Belém promoverá atividades complementares que enriquecerão a experiência dos visitantes. Nesta quarta-feira, dia 4, o curador André Parente conduzirá uma visita mediada especial, agendada para as 18h. Após o percurso guiado, haverá um bate-papo aprofundado sobre o processo de concepção e montagem da exposição, oferecendo insights valiosos sobre a curadoria e a visão por trás da mostra.

Na sequência, o público terá a rara oportunidade de participar de uma vivência única ao lado do próprio Cícero Alves dos Santos e de sua filha, Julia Katiene. Julia é autora do livro "Bonecos de Pau: A felicidade de Véio", e a presença de ambos promete um intercâmbio direto com a essência criativa e a história de vida que moldaram a arte de Véio.

Cícero Alves dos Santos: A Trajetória de um Mestre Autodidata

Nascido em 1947, na cidade de Nossa Senhora da Glória, Sergipe, Cícero Alves dos Santos forjou sua identidade artística de forma autodidata, transcendendo os limites da formação acadêmica convencional. Sua genialidade foi formalmente reconhecida em 1986, quando o Livro Guinness o consagrou como o maior miniaturista do Brasil, um marco que alavancou sua projeção nacional e internacional.

Ao longo de sua carreira, Véio acumulou uma série de honrarias, incluindo o prestigioso Título de Mestre dos Saberes e o Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Sergipe. Sua produção artística transcendeu fronteiras, integrando importantes coleções públicas e privadas tanto no Brasil quanto no exterior, e é objeto de vasta análise em livros, catálogos, pesquisas acadêmicas e documentários, solidificando seu status como um dos mais relevantes artistas populares do país.

O compromisso de Véio não se restringe apenas à criação artística; ele também é um ativo defensor da preservação ambiental e cultural. Adquiriu e mantém uma significativa área de mata nativa da Caatinga, situada no Sítio Soarte, entre os municípios sergipanos de Feira Nova e Nossa Senhora da Glória. Neste local, Cícero fundou o Museu do Homem do Sertão, um espaço dedicado à salvaguarda da memória e das tradições do sertanejo.

Uma Oportunidade Cultural Imperdível em Belém

A chegada da exposição de Véio à Caixa Cultural Belém representa uma oportunidade cultural singular para o público paraense. É um convite para explorar a riqueza da arte popular brasileira através dos olhos de um mestre que, com sua sensibilidade e técnica, transforma a matéria-prima em narrativas visuais que celebram a vida, a cultura e a imaginação. A mostra é um testemunho vibrante da capacidade humana de criar e preservar, deixando um legado inestimável para as futuras gerações.

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