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Curta na Serra: Sétima Edição Aquece Bezerros com Recorde de Filmes e Enfoque na Produção Pernambucana

Fotos: Do Mar/Divulgação.

O tradicional anfiteatro ao ar livre de Serra Negra, em Bezerros (PE), foi palco para o pontapé inicial da sétima edição do Curta na Serra, um dos festivais de cinema mais prestigiados de Pernambuco. Na noite da última sexta-feira (27), a abertura dedicou-se integralmente à vibrante e multifacetada produção curta-metragista local, com a curadoria, mais uma vez, assinada pelo crítico e apresentador Vitor Búrigo, que conseguiu um alinhamento temático notável: a presença marcante de elementos fantásticos, aproximando narrativas diversas com coesão.

Um Festival em Crescimento e Acolhimento

Marlom Meirelles, o idealizador do Curta na Serra, expressou sua satisfação com os rumos do evento. Ele destacou que esta edição é histórica, alcançando um recorde absoluto de 1.194 filmes inscritos, um testemunho do crescente interesse e da relevância do festival no cenário audiovisual nacional. Meirelles enfatizou o compromisso do evento em manter sua essência acolhedora e calorosa, característica marcante do interior pernambucano, que tanto atrai realizadores e público para Bezerros.

Panorama Pernambucano: Entremeando Fantasia e Realidade

A primeira noite do Curta na Serra foi dedicada às oito produções selecionadas para a Mostra Panorama Pernambuco, oferecendo um recorte diversificado do que há de mais relevante no cinema do estado. A seleção explorou uma rica tapeçaria de temas e técnicas, com destaque para a habilidade dos realizadores em transitar entre o real e o imaginário.

Mundos Animados e Memórias da Infância

Entre os filmes que encantaram a audiência, estava a premiada animação “A Menina e o Pote”, de Valentina Homem e Tati Bond. A obra, que abriu a mostra, cativa pela beleza estética criada a partir da técnica de pintura sobre vidro, transportando o espectador para uma narrativa rica em elementos da cosmologia indígena Baniwa e Yanomami. Outro destaque foi “Trincheira”, dirigido por Lucas da Rocha e Maria Clara, que com sensibilidade ficcionaliza o cotidiano de crianças da comunidade 7 Mocambo, situada na Várzea, Recife, celebrando a espontaneidade infantil.

Distopias, Lutas Sociais e Memórias Documentais

A imaginação de futuros distópicos também teve seu espaço. “Lança-Foguete”, de William Oliveira, propôs uma realidade onde indivíduos LGBTQIAPN+ são misteriosamente abduzidos por naves extraterrestres. Complementando essa vertente, “Sertão 2138”, de Deuilton B Junior, projetou um futuro em que a elite abandona a Terra poluída, focando o drama em uma inóspita região sertaneja. Completando a mostra de ficção, foram ainda exibidos “Babalu é Carne Forte”, de Xulia Doxágui, e “Pé de Chinelo”, de Cátia Cardoso.

A produção documental, essencial para registrar e resgatar histórias, foi igualmente contemplada. “Dynamite Som: O Futuro é Lamento Negro”, de Lia Letícia e Pedro Severien, reviveu a trajetória do grupo Lamento Negro, fundado em 1987 em Peixinhos, Olinda, e ícone da resistência cultural do povo preto, com membros como Gilmar Bola Oito e Mestre Maia Nomoni. O documentário “Aqui É Longe de Lá”, de Samuel Marinho, apresentou um sensível e íntimo estudo sobre o luto, utilizando imagens de arquivo da família do realizador.

Ritmo e Imagem nos Videoclipes

A programação noturna foi encerrada com os primeiros trabalhos da Mostra Panorama Videoclipes, que oferece um olhar sobre a criatividade visual atrelada à música. Foram apresentados “Alumeia”, uma bela representação visual para a canção de Juliana Linhares, dirigida por Luana Flores; “Cana Queimada de Desejos”, um trabalho inventivo de Sávio Sabiá e Ricardo Sékula; e o irreverente “Paracetamono”, do artista Sr. Coimbra, dirigido por Tássia Araújo, que provoca reflexões sobre a monogamia com bom humor.

Continuidade da Programação e Acesso Cultural

O Curta na Serra segue com sua programação neste sábado (28), trazendo a Mostra Nacional, a continuidade da Mostra de Videoclipes e uma homenagem especial ao filme “O Agente Secreto”. Para aqueles que não puderam comparecer às exibições presenciais ou desejam rever as obras, é importante destacar que todos os filmes da programação estarão disponíveis para acesso no site oficial do festival até o dia 20 de abril.

Fonte: https://revistaogrito.com

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